Bem-estar

Epilepsia: o que fazer em uma crise convulsiva e quando chamar o 192

Resposta rápida: Durante uma crise convulsiva, mantenha a calma, proteja a cabeça da pessoa e afaste objetos que possam machucá-la. Não segure os movimentos e não coloque nada na boca dela. Ligue para o 192 se a crise passar de 5 minutos, se for a primeira crise da vida da pessoa ou se ela não se recuperar.

O que é epilepsia e o que é uma crise convulsiva

A crise convulsiva é um episódio em que o corpo treme de forma rápida e sem controle. Ela acontece por uma atividade elétrica anormal e repentina no cérebro. Nem toda crise causa tremores, e algumas são leves.

A epilepsia é uma doença crônica do cérebro, ou seja, que dura por muito tempo. Ela é definida pela presença de duas ou mais crises sem uma causa passageira. Uma única crise não significa, por si só, que a pessoa tem epilepsia. A doença não é contagiosa.

Segundo o Ministério da Saúde, que cita a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 2% da população brasileira tem epilepsia. A OMS estima cerca de 50 milhões de pessoas com a doença no mundo.

Causas mais comuns

Segundo a OMS, em cerca de metade dos casos a causa não é conhecida. Quando é conhecida, as causas citadas são lesões no cérebro por problemas no parto, alterações genéticas ou na formação do cérebro, pancadas graves na cabeça, AVC (derrame), infecções do cérebro, como a meningite, e tumores.

Uma crise isolada pode ter outras origens, como febre alta, uso de certos medicamentos e algumas doenças. Só o médico pode dizer se a pessoa tem epilepsia.

O que fazer durante uma crise

Siga estes passos enquanto a crise acontece:

Depois que os tremores pararem, fique com a pessoa até que ela esteja totalmente desperta. Deixe-a descansar e explique com calma o que aconteceu. Só ofereça água ou comida quando ela estiver bem alerta.

O que não fazer: não segure a pessoa nem tente parar os movimentos. Não coloque nada na boca dela. Não faça respiração boca a boca durante a crise.

  • Mantenha a calma e fique ao lado da pessoa.
  • Anote a hora em que a crise começou.
  • Se ela estiver caindo, ampare-a para que não bata no chão com força.
  • Afaste objetos que possam machucá-la.
  • Coloque algo macio e plano sob a cabeça, como um casaco dobrado.
  • Retire os óculos e afrouxe roupas apertadas, principalmente no pescoço.
  • Se possível, deite a pessoa de lado. Se ela estiver de barriga para cima, vire a cabeça dela para o lado, para a saliva escorrer.
  • Procure pulseira ou medalha com informações médicas.

O que ajuda no dia a dia

Segundo a OMS, até 70% das pessoas com epilepsia podem ficar sem crises com o uso adequado dos medicamentos.

  • Tomar os remédios como o médico receitou. Não mude a dose nem pare por conta própria.
  • Manter um diário com data, hora e situação de cada crise. Ele ajuda a notar possíveis gatilhos, como falta de sono, cansaço, estresse, menstruação e luzes piscando.
  • Evitar o consumo excessivo de álcool, que pode aumentar o risco de crises.
  • Contar a familiares e amigos o que fazer durante uma crise e usar uma identificação médica.
  • Preferir o chuveiro à banheira e ter cuidado ao cozinhar, usar ferramentas, nadar e praticar esportes.

Quando marcar consulta

Procure atendimento médico após uma primeira crise, mesmo que a pessoa tenha se recuperado bem e não tenha ido ao hospital.

Procure também quando as crises se repetirem ou quando uma crise voltar depois de um longo período sem crises. Isso vale também para crises sem tremores.

Qual especialista e como é a consulta

No SUS, o cuidado começa preferencialmente na Unidade Básica de Saúde. Quando necessário, o médico encaminha a pessoa para atendimento especializado. O neurologista é o médico que cuida das doenças do cérebro e dos nervos.

Na consulta, o médico pergunta como são as crises e qual é o histórico de saúde. Ele pode pedir exames, como o eletroencefalograma (EEG, que registra a atividade elétrica do cérebro), ressonância magnética ou tomografia (exames que mostram imagens do cérebro), exames de sangue e, em alguns casos, teste genético. O diagnóstico costuma vir após mais de uma crise, ou quando os exames mostram risco de novas crises.

A base do tratamento são medicamentos que evitam as descargas elétricas anormais no cérebro. Em alguns casos com crises frequentes e sem controle, o médico pode avaliar a cirurgia.

Como se preparar

Algumas informações ajudam o médico na investigação. O Ministério da Saúde indica os pontos do último item como parte dessa investigação.

  • Leve o diário de crises ou anote o que lembrar.
  • Se possível, vá com quem presenciou a crise. Essa pessoa pode contar como a crise começou, quanto durou e como foi a recuperação.
  • Leve a lista dos remédios em uso e os exames já feitos.
  • Anote casos de epilepsia na família, pancadas na cabeça, infecções, intoxicações, problemas no parto e crises com febre na infância.

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Perguntas frequentes

Convulsão e epilepsia são a mesma coisa?

Não. A convulsão é o sintoma, em que o corpo treme sem controle. A epilepsia é a doença em que as crises se repetem sem uma causa passageira. Febre alta e alguns medicamentos também podem causar uma crise isolada.

Devo colocar algo na boca da pessoa durante a crise?

Não. As orientações oficiais mandam não colocar nada na boca da pessoa durante a crise. O que ajuda é virar a cabeça dela para o lado, para a saliva escorrer, e protegê-la de quedas e batidas.

Quanto tempo dura uma crise convulsiva?

Segundo o CDC, a maioria das crises dura de 30 segundos a 2 minutos e termina sozinha. Se passar de 5 minutos, chame o 192.

As crises podem ser controladas?

Sim, na maioria dos casos. Segundo a OMS, até 70% das pessoas com epilepsia podem ficar sem crises com o tratamento adequado. A decisão de parar o remédio é sempre do médico e, segundo a OMS, pode ser considerada após 2 anos sem crises.

O SUS trata epilepsia?

Sim. O Ministério da Saúde informa que o SUS oferece diagnóstico, acompanhamento e tratamento gratuitos, incluindo os medicamentos. O atendimento começa na Unidade Básica de Saúde.

Fontes consultadas

Conteúdo informativo baseado em fontes científicas e órgãos oficiais de saúde. Publicado em 5 de novembro de 2026. Não substitui a avaliação de um profissional.

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